O
ano era 2001, e em minhas frequentes passagens pela Praça Estevão
Lunardi, observei um movimento diferente no Bar Chef Tulio. Chegando
mais próximo a ele, vi a publicidade de um evento: Comida di Buteco.
Depois voltei para tomar uma cerveja, e entendi que se tratava de um
concurso onde cada bar participa com um prato. Decidi experimentar a
criação daquele boteco, e então comi o Frango Mafioso pela primeira
vez. Passados mais alguns dias, soube por meio de um dos garçons que o
Chef Tulio havia faturado o segundo lugar na categoria prato (naquela
época eram duas as premiações: melhor prato e melhor tira-gosto). Que
coisa interessante! Resolvi pesquisar mais na internet, quando soube
que o evento era promovido pela Rádio Geraes, e que tinha a adesão de
vários bares espalhados pela cidade. Na mesma ocasião, soube que foi a
salada alemã, do Antonius Bar, quem desbancara o Frango Mafioso. Achei
estranho que uma salada pudesse bem acompanhar uma cerveja, mas ainda
assim fiquei muito curioso desde então.
Alguns
meses depois, resolvi “atravessar a cidade” para chegar à Savassi, e
então conhecer o prato campeão. Entre uma cerveja e outra, chega à
nossa mesa o petisco, que de vegetariano tinha muito pouco. A boa
salada de batatas com maionese e mostarda é acompanhada por dois
salsichões, sendo um de vitelo e outro recheado de queijo. Nunca havia
comido nada da cozinha alemã, e achei uma delícia!
Depois
passei a rodar, dentro das possibilidades de um estudante, outros bares
de BH. Conheci os botequins da velha guarda do evento, como o Bar do
Careca, a Petisqueira do Primo, o Bar do Doca da Av. Silva Lobo, o
Tatiara, o Casa Cheia, e voltei a outros que eu já conhecia, como o
Silvio’s, o Café Palhares, o Aconchego da Floresta, etc. Ia dentro e
fora do concurso, sempre que sobrava uma graninha. Mas claro, durante o
evento havia todo o charme que lhe era próprio, com performances de
músicos e artistas, arte no banheiro, e moças bonitas, muitas e belas
moças...
Havia
pratos diferentes, mas também pratos comuns e deliciosos, como eu
jamais tinha experimentado. Um charuto que era receita de família, ou
uma carne de sol que o dono trazia de uma cidade secreta e preparava na
brasa. Podia-se beber uma Antarctica barata, compatível com qualquer bolso, e
não existia nos bares Doritos, Hellmann’s ou White Horse. Quase nunca
se via fila de espera ou dificuldade para estacionar, e muito menos
pressão para que o cliente encerrasse logo a sua conta. Por Deus, como
era bom aquilo! Que oitava maravilha eu havia descoberto!!
























