Espaço destinado aos relatos críticos de andanças pelos botecos belo-horizontinos, assim como aos pitacos sobre outros lugares quaisquer.
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terça-feira, 7 de agosto de 2012

Comida di Buteco 2012 - Bares da Pampulha

Falando de mais três pratos criados para o Comida di Buteco 2012, compartilhamos hoje as nossas impressões sobres os representantes da Pampulha, todos eles estreantes: Botecão do Leão, Recanto da Macaca e Zoo Bar.
O primeiro que visitamos foi o Botecão do Leão, cujo ambiente considerei interessante ao conhecer. Para debutar no evento, inscreveu um prato cujo maior atributo é a fartura, já que a combinação de duas frituras tornou o tira-gosto pesado, além de não ter apresentado nada de inovador. Composto por medalhões de frango e pasteizinhos de milho com queijo, fora batizado pelo bar como Surpresinha Minheira.

O atendimento estivera razoável, não comprometendo, porém a cerveja poderia estar mais gelada. Vale registrar que o meu rótulo preferido sofreu um aumento de quase 30% para o início do festival (de R$ 3,90 para R$ 5,00), o que entendo como um disparate. Não recebe cartões de crédito, apenas os de débito.

O segundo da região que visitamos fora o Recanto da Macaca, onde estivemos pela primeira vez. Pelas breves passagens que fiz no ambiente interno, me pareceu mais um naquele estilo “bar bistrô”. Como bons butequeiros que somos, optamos pela última mesa disponível no recuo da calçada.
Ao perguntarmos sobre as cervejas disponíveis, nos informaram haver somente as da linha “premium” da AMBEV, recado seguido da ressalva de que a Bohemia era a mais gelada. Como macaco velho não põe a mão na cumbuca, recusamos a "cerveja oficial" até em protesto contra esse tipo de atitude, e fomos de Original ao preço de R$ 5,50, valor aceitável, assim como a sua própria temperatura.

Já o petisco não convenceu, seja pela pouca criatividade, pelo sabor previsível ou pela apresentação comedida. Definitivamente não considero justo dispensar R$ 20,00 por oito diminutas almôndegas, e a situação infelizmente pioraria um pouco, quando passamos a ser frequentemente “informados” de que o bar estaria encerrando o expediente.
Por fim, o último da Pampulha, mais precisamente na Avenida que circunda a Lagoa. No Zoo Bar estivemos em um domingo, e gostei muito do que vi. Ambiente dos mais agradáveis, atendimento bom e banheiros limpíssimos, recebendo ainda o cartão de crédito como pagamento.

Destaco que dentre os bares já visitados até o momento, este foi o segundo onde encontrei a cerveja Antarctica (R$ 5,50). Porém o rótulo não estava dos mais gelados, obrigando-nos a migrar para a "irmã" mais cara, a Original.
Sobre o prato, considero que seja o melhor tira-gosto com peixe dentre os três que participaram concorreram Tilápia saborosa e muito bem frita, acompanhada de bolinhos de mandioca com bacon razoáveis, e ainda molhos de queijo e de ervas. Pela combinação dos fatores, o Zoo Bar foi um dos que já garantiu presença para 2013.

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

O Rei Espetinhos - 03/07/2012

Em uma terça-feira dessas passava pela Av. Francisco Sá, indo do Bairro Santo Agostinho para os Churrasquinhos do Luizinho, quando de repente avisto um alvoroço no lado direito da rua. Seria alguma festa? Alguma casa de eventos? Foi o que imaginei ao notar que as pessoas tomaram, inclusive, metade da pista da Avenida, obrigando os motoristas a se desviarem pela contramão para que evitassem um atropelamento.

Chegando à mais tradicional casa de churrasquinhos de BH, ouço o murmurinho: O Rei dos espetinhos estava sendo reinaugurado naquele dia, agora ali também, na Francisco Sá. Na mesma hora me lembrei de que fora convidado para este evento, porém não havia associado o nome ao lugar, que em seus primeiros anos de vida funcionou também no Prado, porém em uma loja no alto da Rua Turquesa, próxima à igreja do Bairro. Pensei em esperar alguns meses para então conhecer o novo ambiente do bar, entretanto isso não foi necessário, haja vista que a lotação absurda se restringiu àquele 26 de junho. Assim, foi no mês seguinte, em julho, que realizei duas visitas ao “Rei”.

Há quase dez anos assisto bares inspirados no Luizinho abrindo e fechando por aí. Alguns duraram pouco, como foi o caso do Churrasquinho do Lero, na Rua Montes Claros, que desceu as portas em definitivo no ano de 2006. Outros, como o Espetim Lourdes, na Rua Santa Catarina, e o Churrasquinho do Primo, que ocupa o famoso imóvel na esquina de Turquesa com Chapecó, jamais foram sucesso de público como o precursor. Entretanto o Rei dos churrasquinhos parece ser diferente.

Em primeiro lugar porque já se transferiu para o novo endereço com uma clientela já fidelizada. Em segundo porque tem as suas armas para garantir o sucesso de público, como o samba do sábado à tarde, que é próprio dele. E em terceiro lugar, porque no geral trabalham bem, servindo espetinhos de qualidade e cervejas sempre geladas.

Falando das visitas em si, logo ao se entrar no bar é possível entender o motivo de tanta gente na rua: o espaço, apesar de maior que o anterior, ainda é bem restrito. Instalado em uma casa melhor acabada, com belas pias e um grande espelho, o Rei dos churrasquinhos peca pelo diminuto tamanho dos banheiros, e também pelo mau planejamento da churrasqueira, cuja fumaça simplesmente defuma toda a clientela que esteja escada acima. O atendimento, absolutamente informal, é bem camarada, mas a gerência peca em permitir que se fume no interior do bar, que é todo coberto. Sendo assim, nem pense em dizer à esposa ou marido que chegou tarde por estar fazendo hora extra no escritório, já que o cheiro de fumaça lhe desmentirá na hora.
Sobre os espetinhos, entendo que sejam bons, mas em sabor não superam aqueles oferecidos pelo bar que serviu de inspiração ao “Rei”. E aqui esclareço que se torna impossível não comparar os dois estabelecimentos, já que até o espetinho de frango envolto por queijo parmesão, criado pelo Luizinho para o Comida di Buteco 2005 e batizado como “Show do Milhão”, é imitado por ali. Sei que muitos dos clientes sequer petiscam, mas entendo que os seus donos devam trabalhar em alguma nova criação, até para conferir maior identidade ao bar.
Quanto às bebidas, serve-se refrigerante e suco em lata além das cervejas, que são oferecidas geladíssimas e no formato long neck. A maior parte dos rótulos é da AMBEV, a exemplo de Skol, Brahma, Budweiser, Brahma Extra e Stela Artois, porém há também a Heineken. Como os espetinhos, custam R$ 3,50 cada unidade, e as fichas necessárias para o seu consumo podem ser pagas inclusive no cartão de crédito, o que considero uma grande vantagem ante os concorrentes.

Dali a não mais do que um quilômetro se encontra a Estação Carlos Prates do metrô, e ainda mais perto é a Av. Amazonas, com diversas opções de ônibus. Porém, caso o leitor prefira ir de carro, a paciência terá de ser redobrada, já que assim como um cantinho dentro do Rei, as vagas de estacionamento são das mais concorridas.

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Atualização:

Retornei em setembro/2012, em uma segunda-feira. Com o término dos espetinhos na churrasqueira, pedi ao responsável pelo caixa que recebesse uma ficha em troca do dinheiro de volta. Infelizmente, e mesmo não havendo mais churrasquinhos disponíveis, me foi informado que por ali as fichas não podem ser devolvidas. Até onde me lembro, jamais tive qualquer problema dessa ordem no Bar que lhes inspirou, qual seja os Churrasquinhos do Luizinho.

Notas:

Ambiente: 4
Bebida: 5
Comida (peso 2): 3
Público: 4
Serviço: 4
Custo-benefício: 4

Média final: 4 estrelas


O Rei Espetinhos
Av. Francisco Sá, 383 - Prado
Tel: 3372-2759
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Comida di Buteco 2012 - Bares do Centro

Dando sequência à nossa retrospectiva do Comida di Buteco 2012, falo hoje sobre os bares do Centro de BH, onde estivemos em uma baita segunda-feira de recesso de feriado. Sito em uma de nossas instituições maiores, que é o Mercado Central, o Bar da Lora estava transbordando de gente às 16:30h, horário em que escorei no seu balcão. Tomamos algumas garrafas de Brahma (R$ 5,00), servida em temperatura razoável, e logo surgiria uma mesinha alta para que pudéssemos experimentar as “Coisas da Lora”. Confesso que, pela descrição e fotografia oficial, o tira-gosto não me atraiu muito de início. Entretanto, depois de algumas palitadas me despertei para o mesmo, e entendi que a Elisa estava novamente no páreo, tanto que faturou o terceiro lugar.
Composto por costelinha e cupim na chapa, molho de mandioca com queijo, “batata baby” e queijo minas temperado com tomilho, entendo que a substanciosa porção traduz a essência da verdadeira comida de boteco. As carnes são macias e suculentas, e a escolta de queijos e batatas faz um bom contraponto. Apenas o purê de mandioca não é novidade por ali, já que o mesmo acompanhou o vitorioso “Pura Garra da Lora”, de 2010.
Para nos atender contamos com a usual simpatia da garçonete Kátia, e para ir ao banheiro só mesmo percorrendo os corredores do Mercado até que se chegue ao mesmo. Quem é cliente habitual não apenas domina a “técnica”, como carrega um estoque particular de fichas na carteira. Afinal, esse é o espírito.
 
A segunda parada foi o Café Palhares, onde a criação de bons quitutes para o evento já virou tradição, apesar de sairem do cardápio no término de cada edição. Seja como for, em 2012 não foi diferente, e o tradicional botequim entra com o CEQCE, que é uma carne desfiada sobre molho de queijo acompanhado de cebolas crocantes. Pela composição dos ingredientes e diminuto tamanho, considero que não seja a melhor dos últimos petiscos, porém não deixa de ser saboroso, muito pelo contrário, já que as deliciosas cebolas crocantes conferem sabor e criatividade à receita.
Dentre as cervejas disponíveis apenas a Bohemia long neck, restrição essa que nos forçou a optar pelo bom chopp da Nova Schin (R$ 3,50), o qual é bem saboroso, mas acabou tornando a conta mais onerosa do que o normal. Naturalmente não foi o único culpado, pois apesar de termos permanecido de pé durante duas horas, tivemos de pagar os 10% a título de gorjeta. E olha que não foi por falta de banquetas, mas sim por estas serem incompatíveis aos clientes que ultrapassam 1,80 metro de altura. Reflexo da idade do bar, concebido numa época em que o comprimento médio da clientela era bem inferior a isso.
 
Por fim, chegamos ao Café Bahia, onde eu não comparecia a pelo menos uma década. Tanto que sequer me lembrava da fisionomia do Passarinho, um dos mais lendários garçons da cidade. Seja como for não seria difícil reconhece-lo, pois me bastou escutar de onde vinha o “canto característico”, que hoje não é mais sucedido pelas tampinhas voadoras de outrora.
Com a presteza que lhe é característica, o Passarinho nos arranjou a última mesa interna. Mas não, definitivamente não conseguiríamos permanecer muito tempo por ali, já que o calor era descomunal. Mostramos nossas camisas encharcadas e, alguns minutos depois, fomos conduzidos à primeira mesa externa que foi disponibilizada. Aí sim, estaríamos no céu, mas acabamos não chegando lá. Culpa da cerveja, que não estava mais do que fria, e mesmo depois de termos apelado à renegada Bohemia continuamos frustrados.
Diante desse quadro, a única solução que vislumbramos foi acelerar o pedido do prato que concorreu ao Comida di Buteco 2012, este composto por bolinhos de carne, bolinhas de queijo e bruschettas. Os primeiros são bons, os segundos razoáveis e as terceiras não contribuem muito, todos três em modesta quantidade na travessa. O ponto positivo vai para o preço, cujos cinco reais abaixo do teto de R$ 22,90 já pagam a saideira. Esta viria logo depois da conta, que por sua vez chegou antes do último assobio do dia.