Espaço destinado aos relatos críticos de andanças pelos botecos belo-horizontinos, assim como aos pitacos sobre outros lugares quaisquer.
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quarta-feira, 13 de julho de 2011

Churrasquinhos do Luizinho - 06/07/2011


O formato dos Churrasquinhos do Luizinho, bar já conhecido na cidade, chama a atenção pela singularidade. Vez por outra me deparo com tentativas de imitação, mas desconheço quem tenha conseguido semelhante sucesso.

Para os que não conhecem o boteco, eu explico a fórmula: o cliente vai ao caixa, compra quantas fichas desejar, achega-se em qualquer canto e vai trocando os tíquetes por cervejas long neck (Skol ou Brahma Extra) e por espetinhos, tudo a R$ 4,00. Os fregueses que chegam primeiro podem lançar mão de alguma das banquetas, mas a maioria conversa, come e bebe de pé.

Para o comerciante é ótimo negócio receber de antemão o pagamento das suas vendas, por reduzir a zero os prejuízos com calotes. Economia também com copeiros, dispensáveis em um bar que trabalha exclusivamente com espetinhos nos palitos de madeira, e cujos recipientes das bebidas são todos descartáveis. Copos, pratos, talheres e travessas passam longe dali.

O aperto, meio tumultuado, em certa medida lembra os corredores do Mercado Central, ambiente este que muito agrada parte do público belo-horizontino. Durante a semana o movimento é tamanho que o bar opta por não abrir as portas nos sábados e domingos, e ainda fecha durante 30 dias corridos todo ano, geralmente em janeiro ou julho.

Dentre os espetinhos cerca de 10 opções, tais como pão de alho, queijo muçarela, alcatra, kafta, e o incomum Show do Milhão (espetinho de peito de frango envolto por camada de queijo crocante). Todos devorados com destreza pela fiel e barulhenta clientela.

Com tanta ousadia e aparente improviso, entendo que valha a pena se aventurar pelo enorme galpão que sucedeu o modesto imóvel da Rua Turquesa. A cerveja gelada, a qualidade dos espetinhos e a originalidade da proposta são garantia de movimento ao final do dia, e conferem ao bar o conceito ÓTIMO.

Serviço:
Churrasquinhos do Luizinho
Av. Francisco Sá, 197 - Prado
Tel: 2511-9651
www.churrasquinhosdoluizinho.com.br
Formas de pagamento: cartão de crédito ou débito


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Preços atualizados em 08/06/2013

sábado, 9 de julho de 2011

Bar do Veio – 03/07/11


Primeiro bar com ar condicionado de que tive notícia, há uns oito anos atrás. Por certo não era assim na sua origem, mas tenho observado desde a minha primeira visita, em 2005, que não se trata de um boteco na sua essência, pois além do ambiente climatizado, o seu interior é mais trabalhado, seus banheiros são modernos e limpos, os garçons se trajam como tal, e há presença de chope no cardápio. Se estivéssemos no Leblon ou em Copacabana ele poderia ser apenas mais um. Mas em meio a terra dos botequins de esquina, categoria a qual ele pertenceu até a última reforma, é uma rara exceção.

O serviço é hábil, com garçons experientes, faltando-lhes apenas um pouco mais de simpatia no atendimento. A cerveja (R$ 5,00) é muito gelada, mesmo as latas (R$ 3,00). E o aconchego do ambiente já foi melhor tempos atrás, quando ainda era possível avistar das mesas do passeio uma frondosa árvore que resistia bem no meio da rua. A sua localização exigia dos motoristas de ônibus habilidade descomunal, e mais parecia uma resposta à condição que lhe foi imposta, espécie de vingança da natureza. Com a árvore se foi o encanto de uma mesa na calçada do Bar do Veio. Saudosismo, talvez.

No geral atribuo ao bar a cotação bom, apesar de uma ligeira queda na qualidade da cozinha. No presente, o Veio me atrai mais pelo tradicionalismo e extenso cardápio do que pela inventividade e regularidade. Chego a esta sentença não apenas pelo sem número de petiscos experimentados, mas também por meio do Frango inteiro recheado (R$ 36,00), provado na ocasião de um almoço de domingo. Como o prato só leva acompanhamento de farofa e tomate, o arroz a grega (R$ 12,00), que aliás não atende a mais de duas pessoas, foi pedido a parte.

Creio que o arroz branco se acertaria melhor com o frango, já que tanto o arroz a grega como o arroz ao alho tornaram a mistura pesada. A ave, que antes de ser recheada é desossada e moída, foi servida com a casca ressecada, talvez em virtude de alguns minutos a mais na fritura. E o seu recheio seria melhor se preparado com o legítimo catupiry no lugar do requeijão barato.

A conta do almoço ficou no limite do aceitável, a R$87,00 para 3 pessoas. Entretanto o bar que antes reinava soberano no Caiçara hoje é mantido pela boa fama e ótima estrutura, aspectos estes que fazem o contraponto à sua cozinha, apenas regular.


Serviço:
Bar do Véio
Rua Itaguaí, 406 – Bairro Caiçara
Tel: 3415-8455
www.bardoveio.com.br

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segunda-feira, 4 de julho de 2011

Bar & Boi - 24/06/2011


Propaga-se com alguma freqüência o advento de eixos gastronômicos em Belo Horizonte, tais como a Rua Pium-í enquanto extensão da Savassi, a Região do Belvedere no entorno do BH Shopping, e mesmo algo nas limítrofes Nova Lima ou Brumadinho. Todos situados na Zona Sul e suas imediações, assim como o próprio Bairro de Lourdes, celeiro dos mais badalados restaurantes da cidade.

O que se difunde menos é o concomitante surgimento de outros eixos, em localização oposta a esta movimentação. O mais robusto destes, que vem concentrando as novas opções boêmias e gastronômicas da Pampulha, é o da Avenida Fleming, ali entre os bairros Ouro Preto e Bandeirantes. Onde outrora existiu uma pacata via, recebia no ano 2000 o Filé espetos como pioneiro da Região. Hoje são diversas casas que coabitam na Avenida, tendo sido a maioria inaugurada a não mais de dois anos.

Na Fleming há pedidas certas para o encontro da galera, algumas opções favoráveis a uma boa saída a dois, e certeiramente nenhum restaurante de nível internacional. Mas em se falando de eixos gastronômicos, não há outro além deste que tenha se consolidado fora dos limites da Região Centro Sul, ponderando que Santa Tereza situa-se a módicos dois quilômetros da Savassi.

O bar do qual falo hoje foi o segundo inaugurado na Avenida, e para ir de um ao outro basta atravessar a rua. Se a existência primordial do Filé encorajou os criadores do Bar e Boi não se sabe, mas o fato é que a inauguração deste tornaria possível vislumbrar a nova vocação daquelas bandas.

Prestes a também completar o seu primeiro decênio de existência, é outro que destaca em seu cardápio as carnes na brasa, servidas principalmente no peso. Longe de ser aconchegante como os melhores botecos da cidade, apresenta ambiente informal e tem nas mesas externas as mais disputadas, sobretudo pelos que buscam a paquera.

Como entrada trezentos gramas de muçarela de trança, a R$ 10,50, que bem acompanham a Brahma Gelada (R$ 4,40). Melhor ainda foi pagar R$ 21,00 por honestos quatrocentos gramas de contra-filé, cuja porção chega à mesa escoltada por uma travessa de mandioca na manteiga de garrafa.

Ainda tenho muito a percorrer na Fleming, até porque os empreendedores do ramo por certo já miram os lotes vagos que ainda resistem por ali. Seja como for, me satisfaço ao constatar que circuitos alternativo à Zona Sul vêm se tornando realidade. Entendo que este em especial é saudável à cidade, seja para avigorar a Pampulha como importante destino turístico ou por ser cômodo aos residentes dos arredores, na medida em nem todos estão dispostos, por razões diversas, a visitar exclusivamente os barzinhos da Pium-i ou os restaurantes de Lourdes.


Serviço:
Bar e Boi
Avenida Fleming, 294 - Bairro Ouro Preto
Tel: 3498-7666
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