Espaço destinado aos relatos críticos de andanças pelos botecos belo-horizontinos, assim como aos pitacos sobre outros lugares quaisquer.
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domingo, 31 de março de 2013

Boteco, uma paixão - Primeira parte

Nestas últimas semanas antes da "temporada de botecos", movimentada sobretudo pelo concurso Comida di Buteco, mas simbolizada também por outras reuniões de bares que já aconteceram (como o Paralela de Abril) e irão acontecer (como o Outras Comidas de Boteco), me proponho a escrever de outras coisas que não um bar em si. Irei compartilhar aqui, em algumas postagens, a minha paixão pelos botecos de BH. Naturalmente essas estórias nem sempre poderão ter fotos como as resenhas, mesmo porque muitas delas aconteceram em um tempo em que nem todo jovem dispunha de um câmeras fotográfica. São momentos especiais, vivos em minha memória, e cuja vontade de registrar chegara ao seu limite.

Falo, para dar início à esta sequência, do dia em que a seleção brasileira se sagrou Tetra-Campeã. Com um time que deixou a muitos desconfiados, chegou à final com resultados magros, e ao título nos pênaltis. A comoção fora geral, e todos queriam ir para as ruas, festejar a aguardada taça. Foi o que aconteceu com a minha família, que não se conteve em seu apartamento, e sentiu a necessidade de ir para o primeiro bar que avistasse. E esse primeiro bar era o Pipou's.

Funcionando na Praça Estevão Lunardi, na mesma loja onde hoje existe o Chef Tulio, era um bar que não tinha nada demais, se é que oferecia algo além de cerveja, refrigerante e cachaça. Mas afinal, o que se queria além de uma espaçosa pracinha à frente, que era mais do que o necessário para gritar, pular e soltar foguetes? Naquele momento de comemoração extrema, possivelmente nada. Eu menos ainda, já que aos  meus doze anos não beberia nada além de guaraná. Acontece que o Pipou's, do finado Ademarzinho e seu pai, Sr. Ademar, a quem vi pela última vez atrás de um balcão de bar à Rua Gustavo da Silveira, simbolizam a minha primeira concepção de boteco: um lugar com congeladores horizontais, de onde só sai cerveja e refrigerante, uma estufa com pastéis e bolinhos frios, que o meu pai não me deixava comer, e uma arara com  salgadinhos da Elma Chips e aquelas "pimentinhas". Sei que vendiam cigarro, que existiam garçons, que os banheiros eram sujos, que tinha de se pagar pela conta, mas nada disso importava para mim. Eu queria era comer e beber, e mais nada. E se ao bar chegasse qualquer lançamento de refrigerante ou algum novo petisco, era aquilo o que eu queria! Nada de beliscar coisas repetidas, por favor!

Sei que se minha avó estivesse viva e lendo esta resenha, possivelmente diria: "menino guloso, desde moleque só pensava em se fartar". Porém, e por mais que eu não negue a gula como um dos meus pecados, com o tempo entendi que essa curiosidade extrema, sempre alvo de piadas que levo no bom humor, era nada mais que um dom. Melhor ainda quando comecei a achar que sabia escrever, e passei a compartilhar minhas experiências. Certo é que, bebendo refrigerante ou cerveja, a paixão pelos botecos me acompanha há quase dois terços dessa vida. Isso se não a trago de outras vidas, mas não será dessa vez que irei tão longe.




sábado, 30 de março de 2013

Underground Pub - 27/03/2013

Primeiro vi a indicação do Underground na Veja BH da semana passada. Depois conversei com o meu amigo Diogo, que tem um apartamento na rua do novo bar. Por fim, surgiu um recesso providencial na quinta-feira, que me propiciou uma calma visita em sua véspera.


À primeira vista, um grande estabelecimento situado em local de pouca tradição no segmento, próximo à TV Horizontes e à Mata da PUC. Não escondo ser um admirador dos vanguardistas que se arriscam em lugares ainda inexplorados, de modo que o sucesso da casa tem a minha torcida.


Passando pelo espaçoso e convidativo primeiro ambiente, onde há bons ombrelones na parte descoberta, chega-se ao interior da casa, este de decoração ainda mais encantadora.


Fazendo referência a um pub, nele há um charmoso balcão, além do palco e da mesa de sinuca.


Quase tudo remetendo às quatro rodas, que é a paixão de um dos donos, mas com a devida homenagem ao moto-clube dos outros dois sócios.


Alertados por um dos simpáticos garçons que a Brahma não estava em sua melhor temperatura, fomos de Devassa (R$ 6,00), que foi servida geladíssima do início ao fim da estada.


Para petiscar começamos pelo "Sacanagem e Capetinha" (R$ 15,00), que são duas conservas nos moldes dos botecos de antigamente. Uma com azeitona, salsicha, queijo e pimentão, e a outra de mortadela temperada enrolada em pimentões. Ácido e salgadinho, cumpre bem o papel de primeiro acepipe.


O outro petisco da noite seria uma porção de costelinha em ripa com batata e cebola (R$ 30,00). Nele, a costela é suculenta e coberta por molho barbecue. Entretanto as batatas e cebolas, geladas e também em conserva, deveriam ter sido levadas à mesa em recipiente separado, para não comprometer o sabor e temperatura da carne.


Falando de outro dos trunfos do bar, a música ao vivo acontece quase todo dia, e na quarta-feira da nossa visita o cliente dispensaria R$ 5,00 pela apresentação de uma banda de rock. Se for necessário o estacionamento, há não mais do que meia dúzia de vagas à frente do bar, que abre à noite de terça-feira em diante, e nos sábados e domingos a partir do meio dia.

Notas:

Ambiente: 5
Atendimento: 4
Bebida: 4
Comida (peso 2): 2
Custo-benefício: 3

Média final: 3,5 estrelas


Underground Pub
Av. Itaú, 540 - Dom Cabral - Belo Horizonte - MG
Tel: (31) 3658-4313
Pagamento: cartão de crédito ou débito
Preço médio por pessoa: R$ 45,oo*

*Consumo individual, em rateio ou não, de uma porção para dois, ou duas porções para um, de preço médio, acrescida(s) de duas bebidas, serviço e couvert/entrada, quando houver. As bebidas podem ser duas cervejas de 600 ml, ou quatro cervejas de 350 ml, ou dois drinks, ou duas doses de cachaça, dependendo da especialidade do bar.

segunda-feira, 25 de março de 2013

Reza Forte - 23/03/2013 (Estabelecimento fechado)

Funcionando há pouco mais de seis meses, o Reza Forte ocupa uma grande casa de esquina no Prado, bairro este que é hoje sinônimo de boa "butecage". Para entrar no bar, o cliente deve subir por uma rampa antecedida por alguns degraus, que acabam por inviabilizar a acessibilidade ao local. Já dentro dele, são três os ambientes, quais sejam a varanda, o interior e o deck. No primeiro havia música ao vivo em alto volume, e no segundo era ensurdecedora a conversa entre os habitués. Assim, nos decidimos pelo terceiro, que era mais arejado e tranquilo.


Para beber, a casa lista meia dúzia de opções da AMBEV, além de alguns drinks e destilados. Comecei por uma Brahma (R$ 5,90), que tive de substituir pela Original (R$ 6,90) por aquela estar apenas fria. Já a Vivian optou por um suco natural de caju (R$ 3,90), que apesar de ser preparado com a fruta fesca, mostrou-se pouco consistente.

Dentre os 20 petiscos listados no cardápio, demos início por um pão de quatro queijos (R$ 4,90), já que os pães de alho e de azeitona, oferecidos por igual valor, estavam em falta. Bem fraco se comparado ao do Chico do Churrasco, que é a referência deste quitute na cidade.


A batata rosti de carne seca com quatro queijos, que custa R$ 29,90 e serve duas pessoas como refeição ou quatro como petisco, foi a nossa outra pedida. Ela demorou não mais do que 30 minutos para chegar, e foi à mesa perfumada e bem apresentada.


O sabor, por sua vez, não supriu as nossas expectativas. À batata faltou tempero, e dentre os quatro queijos aludidos, notamos a presença de catupiry, muçarela e cheddar. Acredito que a presença de algum queijo curado, ou qualquer outro que fosse mais insinuante, daria solução à ligeira insipidez.


Falando do atendimento, a garçonete Jussara se mostrou esforçada durante toda a nossa estada. O maior pecado da noite seria a inexistência de azeite para regar a rosti, e o mesmo deve ser creditado na conta dos administradores do Reza Forte. Ficamos nos perguntando como um bar que serve refeições executivas de segunda a sábado, ao preço de R$ 10,90, pode não dispor de tempero essencial como este.

Solicitada a conta, mais um deslize que deve ser aqui alertado, este referente à cobrança de couvert artístico (R$ 5,00 por pessoa) sem o prévio aviso, o que vai inclusive contra a lei que regula o assunto.


Notas Pedrão:

Ambiente: 3
Atendimento: 3
Bebida: 2
Comida (peso 2): 2
Custo-benefício: 2

Notas Vivian:

Ambiente: 4
Atendimento: 3
Bebida: 3
Comida (peso 2): 2
Custo-benefício: 2

Média final: 2,5 estrelas


Reza Forte
Rua Brumadinho, 210-B - Prado - Belo Horizonte - MG
Tel: (31) 3373-3023
Pagamento: recusa cartão de crédito, e aceita cartão de débito.
Preço médio por pessoa: R$ 55,00*

*Consumo individual, em rateio ou não, de uma porção para dois, ou duas porções para um, de preço médio, acrescida(s) de duas bebidas, serviço e couvert/entrada, quando houver. As bebidas podem ser duas cervejas de 600 ml, ou quatro cervejas de 350 ml, ou dois drinks, ou duas doses de cachaça, dependendo da especialidade do bar.