
Volto a escrever neste nosso espaço depois de alguns meses fora. Não fora da cidade, e nem fora do circuito de botecos, tão incendiado nos meses de abril e maio. Mas talvez fora de mim, tentando me reencontrar em meio a turbulências diversas.
Depois de aterrissar em solo firme, permaneço palpitando sobre os bares que visitei, porém de maneira diferente do costumeiro. Escrevo a partir de hoje também na ordem cronológica inversa, retrocedendo até o primeiro bar que a minha memória consiga contribuir na apreciação.
Tracejado o ideal, falo-lhes do Bar do Careca, que há muito não visitava, mas do qual me considero freqüentador. Trata-se do primeiro a se sagrar vencedor do Comida di Buteco, nos idos de 2000, com uma língua ao molho que até hoje não experimentei. O Frango Patureba, em contrapartida, é sempre alvo fácil, e se acompanhado por uma travessa de arroz (R$ 5,00), o habitual almoço de domingo estará salvo. Custa R$ 26,00, em porção que atende bem duas pessoas.
Não é o melhor frango que conheço, até porque sofre crise de identidade, e não se decide entre Belo Horizonte ou Patos de Minas. Servido com alguns grãos de milho, o seu caldo é menos espesso do que um legítimo Patureba, e acaba pedindo a escolta do angu de fubá, que não compõe o prato por ser uma tradição nossa, de BH. Seja como for, um caldo com mais milho batido põe fim a este impasse, até porque se dependesse apenas da farta e crocante porção de quiabo que vem a reboque, este penoso já estaria no rol dos melhores.
Em outras ocasiões experimentei a Truta com castanhas e alcaparras, assim como a carne de sol com mandioca, ambas campeãs dentre os pedidos. E na panela de pedra são oferecidos, além do Patureba e da Língua, também a Dobradinha com feijão branco e o Pé de porco com macaxeira, dentre outros.
Todos os pratos podem ser degustados tanto no salão interno quanto no passeio da rua Senhora do Brasil. O primeiro lembra um restaurante de bairro, com mesas de madeira forradas por toalhas. Já no passeio são dispostas mesas de plástico da AMBEV, e é possível bebericar uma Brahma (R$ 4,50) desfrutando da paisagem de construções no mínimo cinqüentenárias, à sombra de frondosas castanheiras.
Dois anos desde a minha última aparição no Bar do Careca, e vejo hoje um boteco melhor. O atendimento é mais agradável e atento, e os pratos mais honestos. Talvez por isso continue atraindo, sobretudo nos finais de semana, clientes de todos os lados da nossa BH. Por R$ 40,00 duas pessoas almoçaram bem, tendo ainda consumido uma cerveja e um refrigerante. O único porém durante a minha permanência fica por conta do banheiro, cuja porta necessita de urgente reforma.
Serviço:
Bar do Careca
Rua Simão Tamm, 395 - Cachoeirinha
Tel: 3421-3655
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