Espaço destinado aos relatos críticos de andanças pelos botecos belo-horizontinos, assim como aos pitacos sobre outros lugares quaisquer.
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terça-feira, 27 de novembro de 2012

Eventos gastronômicos de BH - 2012

O Concurso Comida di Buteco, com suas qualidades e defeitos, é o melhor evento gastronômico que temos em BH. E reafirmo isso mesmo após a chegada do Restaurante Week em nossa capital, festival este que, em tese, busca a democratização da chamada alta gastronomia. Entretanto, quem já esteve em algum restaurante durante o evento, ou mesmo por uma simples análise dos menus oferecidos, sabe que não é bem assim. Infelizmente grande parte das casas, quando da elaboração dos pratos participantes, lança mão de ingredientes distintos dos utilizados nas criações habituais, o que faz com que o público continue desconhecendo a essência de cada uma das cozinhas. Além disso, os restaurantes mais renomados da cidade, a exemplo de Vecchio Sogno, Taste Vin, A Favorita e O Dádiva, dentre outros, simplesmente não abraçam a proposta, aspecto que também desconstrói o discurso de democratização. A exemplo de outras modalidades publicitárias de gosto duvidoso que vemos por aí, o que parece é que os restaurantes adeptos do festival da alta gastronomia o integram mais no intuito único de obter lucro, já durante o evento, do que qualquer outra motivação. Aí poderão dizer que os bares do Comida di buteco também lucram, o que é bem verdade. Entretanto esse lucro se dá pelo volume de vendas, já que no seu caso, o esmero observado na criação dos pratos tem sido maior a cada ano. Essas manifestações de criatividade são, inclusive, motivo de críticas pelos butequeiros mais tradicionalistas, que dispensam sistematicamente qualquer tipo de invencionice. A moela deve ser ensopada, e o torresmo, frito. Que a cozinha do bar não pense em inverter essa ordem ou misturar os dois ingredientes, pois ganhará um cliente a menos.

Outro festival que busca, há alguns anos, se afirmar na cena local, é o Festival Gatronômico da Pampulha. Com o foco regional acima de qualquer outro, é composto, na sua maioria, por restaurantes. A exemplo do Restaurant Week, é também desdenhado por casas de grande renome, que tem no Xapuri o exemplo único no caso da Pampulha. Em 2012 o Circuito em questão optou, pela primeira vez, por eleger o melhor prato, mostrando que ainda não se definiu entre ser um concurso ou um festival. Vale dizer que o resultado não foi divulgado, até hoje, no site oficial. Apesar disso, um avanço no que tange à sua transparência, que foi a distribuição prévia de dois mil dos guias que permitem a participação no evento, até 2011 concedidos apenas a uma lista fechada. Aconteceu de 12/09 a 28/10, e teve 15 integrantes.

Dentro do Circuito Gastronômico da Pampulha, o representante visitado, em 22/09, foi o Paladino. Se autodenominando “restaurante fazenda”, a casa faz jus ao rótulo, já que ocupa uma área de vários hectares, e oferece à clientela muita paisagem e boa estrutura, sobretudo para os encontros familiares. A decoração do ambiente onde nos acomodamos, com inspiração rústica e um chamativo lustre, também não desaponta. Chegamos por volta das 20:30h, horário em que as reservas já haviam vencido, mas por sorte ainda restavam duas mesas neste salão, onde acontecia apresentação de MPB ao vivo. Estávamos famintos e, de cara, pedimos um torresmo de barriga (R$ 22,00), que chegou acompanhado de limão. Carnudo e otimamente executado, acompanhou muito bem a Serramalte gelada (R$ 6,90), e fechou com chave de ouro a nossa boa primeira impressão sobre a casa.

Bem mais tarde, já ao final da nossa estada, pediríamos o representante da casa no Circuito, que foi a truta grelhada com ervas, servida com dois molhos e acompanhada de risoto de queijo caipira e pupunha. E foi justamente este, o tão aguardado prato, a maior derrapada da noite. Nele, o peixe estivera mais passado e menos espesso do que o desejado. O risoto infelizmente pouco ajudou, já que seu sabor e sua textura não agradaram. É bem certo que o guia dá direito a uma segunda porção, mas o preço de cardápio (R$ 39,00) coloca a refeição em um patamar próximo ao dos restaurantes mais sofisticados da cidade, tornando justificável a nossa expectativa.



O serviço estivera razoável, pecando apenas por uma ligeira demora dos pedidos. Porém o couvert de R$ 8,00 por pessoa, preço este não informado no cardápio, está acima do que cobram outros estabelecimentos que também oferecem o “banquinho e violão”. Até pelas restrições quanto a dias e horários de funcionamento, nos reservamos a esta única visita dentro os integrantes do Circuito Gastronômico da Pampulha.

Outro evento gastronômico do qual falamos aqui é o Bar em Bar, este promovido pela Abrasel-MG. Em 2011 a organização do festival fez uma infeliz parceria com um site de compras coletivas, formato este que já havia se corrompido com menos de um ano de Brasil. Já para 2012, uma honrosa evolução, notadamente quanto ao teto de R$ 10,00 para os petiscos participantes que forem solicitados no horário de happy hour (entre 18h e 21h). Nem todo estabelecimento que participou desta última edição pode ser considerado um bar, é bem verdade. Por outro lado, admito que apenas não visitamos outros integrantes em função da curta duração do evento, que aconteceu entre 1º e 18/11.

Foi motivado pelo Bar em Bar que voltamos ao Rima dos Sabores, a fim de experimentarmos o seu “coma suíno, mas use filtro solar”, criado especialmente para o festival. Trata-se de porção de carne de sol suína servida com redução de aceto com tangerina e rapadura, acompanhada por minibatatas com bacon. Prato criativo, composto por ingredientes selecionados, mas que pecou na temperatura da carne e na restrita quantidade das inventivas minibatatas. Aos que desejarem mais informações sobre o diferenciado Rima dos Sabores, sugiro um acesso às nossas impressões sobre o bar.

Finalizo voltando à discussão que abriu esta resenha, sobre a pouca expressão dos eventos gastronômicos de BH ante o maior deles, qual seja o Comida di Buteco. E não é por torcer contra os eventos que surgem ano após ano que o faço, e muito menos por ignorar as distorções do CdB, evidentes sobretudo quando se fala dos forçosos patrocínios, que com o aval da organização impõem as mais desvirtuantes regras. Mas é justamente por desejar o sucesso das novas empreitadas que teço as ditas críticas, afinal acredito, por mais difícil que possa ser em uma cidade provinciana, que Belo Horizonte ainda atrairá pessoas de todo o mundo pela sua gastronomia.


Paladino
Av. Gildo Macedo Lacerda, 300 - Braúnas
Tel: 3447-6604

Rima dos Sabores
Rua Esmeralda, 522 - Prado
Tel: 3243-7120
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sexta-feira, 23 de novembro de 2012

Chef Túlio - 13/10/2012

Tenho o privilégio de acompanhar, há quase vinte anos, a história do Bar Chef Tulio. Fui vizinho da praça Estevão Lunardi por 15 anos, e naquela região, onde o Horto chega perto de Santa Tereza e da Sagrada Família, criei gosto pelos bares e pela boemia. Lembro-me que celebramos ali o tetracampeonato do Brasil, em 94, quando no imóvel ainda funcionava o Pipou’s, do Sr. Ademar.

Um ou dois anos depois surge o Chef Tulio, um lugar muito diferente do anterior, que quando muito fritava algumas batatas para fazerem papel de tira-gosto. Já o novo bar, com um cardápio inovador para a época e instalações mais aconchegantes, de início foi confundido por muitos como um restaurante. Boteco naquele tempo só vendia cerveja, e o simples amendoim torrado dos ambulantes poderia ser o melhor petisco da noite.

No novo bar eu experimentaria coisas que para mim eram inimagináveis, como o chili ou a maionese de abacate, iguaria esta que acompanha o surubim na pedra. Diferentemente dos botecos de então, seu objetivo não era só vender as nossas bebidas favoritas, quais sejam a cerveja e a cachaça, mas também oferecer ao cliente os seus saborosos e criativos pratos.

Hoje o bar é maior e melhor decorado, e essa visita que aqui relato foi motivada por um jogo de futebol no Estádio Independência, onde acabamos não comparecendo. Ficamos por ali mesmo, tomando uma Original (R$ 6,00) e acompanhadno o movimento dos arredores.

Para petiscar demos início pelo “De volta às raízes” (R$ 34,90), prato que concorreu no Comida di Buteco 2007. Trata-se do tradicional filé com fritas, porém com acréscimo de ervas sobre as batatas, e de um creme de palmito a parte. Atendendo bem a duas pessoas, é a pedida certa aos clientes de paladar mais conservador.

Os Nachos (R$ 21,90), por sua vez, revelam ao cliente a influência norte americana da casa, o que se explica pelas boas temporadas do Tulio nos Estados Unidos. Mesmo que no dia da visita as tortilhas estivessem menos crocantes do que o desejado, trata-se de um petisco que atende inclusive aos vegetarianos, além de acompanhar muito bem uma cerveja gelada.

Além dos dois pratos mencionados, uma série de outros petiscos e refeições merecem ser provadas. E também as opções sazonais da casa, criadas a cada novo verão e novo inverno.

O atendimento é realizado por garçons que já nos são velhos conhecidos, a exemplo do Paulinho e do PC. Experientes, assim como as cozinheiras, a equipe do Chef Tulio é capaz de segurar as pontas do bar inclusive na ausência do dono. A higiene também não desaponta, e o ambiente, privilegiado por ter uma praça quase exclusiva, é dos mais agradáveis da cidade.

Vale lembrar que, de uns anos pra cá, o Chef Tulio passou a servir almoços executivos de segunda a sexta, mantendo as opções a la carte aos sábados e domingos. Como pagamento admite cartões de crédito e débito, e nos dias de jogo do Atlético e do Cruzeiro vende aos torcedores a cerveja e o mexidão em recipientes descartáveis.


Notas:

Ambiente: 5
Bebida: 4
Comida (peso 2): 3
Serviço: 4
Custo-benefício: 3


Média final: 3,5 estrelas


Chef Túlio
Praça Estevão Lunardi, 24 - Horto
Tel: 3482-7724
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terça-feira, 20 de novembro de 2012

Rota 85 - 08/09/2012


Como já é sabido pelos leitores, o foco principal deste blog são os bares de BH. Outros já devem ter notado que se trata de um blog de gastronomia, pois para que a visita se torne resenha, a cozinha há que ter sido provada. Entretanto, vez por outra nos arriscamos em territórios que não são a nossa especialidade, ou casas em que a cozinha é mera coadjuvante. Foi o que aconteceu quanto conhecemos o Rota 85, uma balada rock’n roll situada na Pampulha.

Longe das três mais conhecidas casas que se dedicam a este segmento, no caso a Circus Bar, o Jack Rock Bar e o Lord Pub, por ali nada da badalação do chamado “circuito do rock”. Mesmo com uma fachada discreta e se situando em um quarteirão menos movimentado da Av. Guarapari, que é um dos polos de bares da região, o Rota 85 mantém clientela fiel.

No dia em que fomos o ingresso custou R$ 20,00 o masculino, e R$ 18,00 o feminino, e este deu direito à apresentação de duas bandas. A primeira delas, muito boa, é cover do Foo Fighters, e a segunda, melhor ainda, interpretou clássicos do rock dos anos 80 e 90.


Para beber, um grande diferencial mediante outras casas do gênero, que é a venda de cervejas em garrafas de 600ml. Fomos de Brahma, servida gelada e ao preço de R$ 6,50 cada unidade. Mais tarde pediríamos uma porção de costelas suínas ao molho barbecue, que nos foi uma grata surpresa por não termos nela depositado qualquer expectativa. Naturalmente não é a melhor da cidade, mas ainda assim encontra-se acima da média.


Em meio a um feriadão, quando os belo-horizontinos preferem viajar e a cidade se torna ainda mais pacata, a casa deixou de contar com muitos de seus habitués. Por outro lado, isso permitiu que desfrutássemos das apresentações e do serviço com melhor qualidade. Da próxima vez que desejar uma noite ao som de rock’n roll, sem ter de me preocupar com trânsito ruim ou vaga de estacionamento, já sei aonde ir.


Notas Pedrão:

Ambiente: 3
Bebida: 4
Comida (peso 2): 4
Serviço: 3
Custo-benefício: 4

Notas Vivian:

Ambiente:5
Bebida:4
Comida:3
Serviço:4
Custo-benefício:3

Média final: 4 estrelas


Rota 85
Av. Guarapari, 85 - Santa Amélia
Tel: 3441-4501
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