Espaço destinado aos relatos críticos de andanças pelos botecos belo-horizontinos, assim como aos pitacos sobre outros lugares quaisquer.
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segunda-feira, 18 de março de 2013

Obardô - 19/01/2013


Santa Tereza é um bairro muito conhecido pela sua tradição boêmia, apesar de não ser tão noturno quanto se propaga. Ainda assim, e por mais que sejam raras as opções para depois da meia noite, é inegável a grande quantidade de botecos que ali existem, daqueles que fecham cedo e não têm na cozinha o seu ponto forte. E foi recentemente, de dois ou três anos pra cá, que essa realidade começou a se transformar. Hoje há bares devidamente planejados para funcionarem como tal, muitos dos quais dispondo de carta própria de cervejas, barman e chef de cozinha. É este o caso do Obardô, um simpático botequim que abriu as suas portas há pouco mais de um ano.


Por eu ser um filho daquela região, me lembro de que na mesma loja funcionava qualquer comércio diurno. Quando me refiro ao seu espaço como um loja, é justamente por esta ter dimensões restritas, onde as paredes históricas jogam por terra qualquer plano de expansão dos donos. Avaliando pela ótica do cliente, é exatamente aí que reside a melhor notícia, visto que uma ampliação poderia por fim ao aconchego e à pessoalidade hoje viventes neste bar.

Para a nossa primeira visita, que aconteceu em um sábado de janeiro, fizemos reserva na véspera, até porque seria um grande grupo. Optamos pela mesa maior, que mesmo se destinando a dez pessoas, comportou doze numa boa. E isso sem prejudicar o bate papo entre os presentes, já que o seu formato, próximo ao de um quadrado, contribui com esta interação. Outro aspecto favorável à boa prosa foi o ótimo som vindo das pick ups, que aos sábados são comandas por Beto Haddad, dono do restaurante Bangkok. Aliado ao bom projeto acústico, o volume do som é adequado, e embala a noite sem incomodar os ouvidos mais sensíveis.

Ao explorar a carta de cervejas, pedi de início uma Backer Pilsen (R$ 9,00), que não existia. A segunda tentativa, que foi uma Austria Pilsen (R$ 8,00), também se frustrou. Na terceira, pedi uma Duff e finalmente consegui molhar a garganta, mas o alto preço de R$ 10,00 pela long neck me empurrou para cervejas convencionais como a Heineken e a Budweiser, ambas a R$ 5,00 no casco de 350 ml. Afora as geladas, experimentei  o delicioso drink cosmopolitan (R$ 15,00), pedido por minha irmã, através de quem provei também a Austria Golden Ale (R$ 12,00).


Para comer, foi o petisco Guacamole Obardô com Nachos (R$ 12,00) que abriu a porteira. Condimentado, acompanha bem a cerveja, mas irá afugentar os paladares menos resistentes à comida picante.

As iscas de frango ao molho de espinafre (R$ 21,00), mesmo tendo sido a mais conservadora pedida da noite, foi a que mais me agradou. Porém as bruschettas de tomate, muçarela de búfala e manjericão (R$ 17,00) também não decepcionaram.


Outra porção condimentada é a de bolinhos de arroz com um toque de curry e recheio de muçarela de búfala (R$ 14,00). Já as berinjelas assadas com passas, castanhas e cebolas (R$ 15,00) vão à mesa acompanhadas por mini pães sírios.


Os mais famintos também têm vez no Obardô, e podem ir tanto de sanduíche de filé mignon (R$ 15,00) quando de mexidão (R$ 18,00), que atende a uma pessoa somente, mas se mostra saboroso. No fim das contas, dentre “entradas”, petiscos, lanches e pratos, são quase trinta opções oferecidas. Junto da boa qualidade dos itens secundários, o cardápio de personalidade faz do agradável e climatizado bar um dos recomendáveis destinos da nova safra de botequins. A última dica é sobre a possibilidade de comandas separadas, coisa rara de se ver em BH.

Notas Pedrão

Ambiente: 5
Atendimento: 3
Bebida: 3
Comida (peso 2): 4
Custo-benefício: 3

Notas Vivian:

Ambiente: 5
Atendimento: 3
Bebida: 3
Comida (peso 2): 4
Custo-benefício: 3


Média final: 3,5 estrelas


Obardô
Rua Mármore, 313 – Santa Tereza – Belo Horizonte – MG
Tel: (31) 3654-1933
Pagamento: cartão de crédito ou débito
Preço médio por pessoa: R$ 50,00*

*Consumo individual, em rateio ou não, de uma porção para dois, ou duas porções para um, de preço médio, acrescida(s) de duas bebidas, serviço e couvert/entrada, quando houver. As bebidas podem ser duas cerveja de 600 ml, ou quatro cervejas de 350 ml, ou dois drinks, ou duas doses de cachaça, dependendo da especialidade do bar.

domingo, 10 de março de 2013

Dub - 18/01/2013


Ao Edifício Maletta, que é um dos mais lendários e conhecidos de Belo Horizonte, eu muito compareci quando universitário, na primeira metade da última década. Como já comentei na resenha que fiz sobre a Cantina do Lucas, a falta de grana sempre me empurrava para o Xoc Xoc, boteco este vizinho do cinquentenário restaurante. Ao segundo piso eu só subia quando para procurar livros a bom preço, em seus vários sebos, ou para almoçar em algum dos restaurantes baratos que ali existiam. Retornando a este pavimento alguns anos depois, vejo que a sua vocação sofreu algumas mudanças. Hoje, a convidativa varanda que margeia este nível do edifício é ocupada pelas mesas dos bares que ali surgiram. Diferentemente dos estabelecimentos do primeiro andar, onde as pessoas de meia idade e os funcionários públicos são maioria, esta nova leva de bares têm atraído da Zona Sul um público jovem e de classe média.


O último dos três a inaugurar, que é sobre o qual falamos hoje, foi o Dub, em meados de 2012. Como se estivesse pareando com o já consagrado Arcângelo Bar Café, funciona no espaço de frente à do seu vizinho mais velho, e ocupa loja similar, no tamanho e na proposta arquitetônica. A fórmula gastronômica também é a mesma, com criações de petiscos que fogem do comum, um barman preparando drinks inventivos, e a abolição das cervejas de 600 ml. A vista para o histórico prédio do Centro Cultural, que é um dos maiores atrativos do lugar, fecha a lista de semelhanças.


Para a primeira visita, fui em uma sexta-feira e cheguei por volta das 20h, horário em que a fila de espera já atingia a sua primeira dezena de pessoas. Não esperava nada diferente disso, e alguns minutos depois consegui um lugar junto ao balcão. Aliás, como são bons esses balcões, que não só permitem aguardar uma mesa com conforto, mas também conhecer um pouco da intimidade da casa. Falo da atividade de balconistas, barmans e cozinheiros.


Dez ou quinze minutos depois já seríamos chamados para uma das mesas na disputada varanda, e foi lá que tive acesso ao divertido cardápio. Vi que estava pagando R$ 5,00 pela gelada Heineken de 350 ml, e que diferentemente do anunciando neste, não estavam comercializando a Gold (R$ 4,70), que gosto mais. Já a carta de drinks não decepciona, e a razoável variedade destes é vendida a um preço médio de R$ 15,00.


Para petiscar, escolhemos a quesadilla (R$ 16,00), e chamamos a garçonete para maiores explicações. Ela nos disse que há três opções da mesma, quais sejam a de filé, a de frango e a vegetariana, e já enfatizou que a de carne bovina é a campeã de público. Confesso que me surpreendi com essa informação, pois imaginava que o gosto dos habitués fosse menos convencional, porém preferi acatar a sua sugestão. Quando o prato chegou, um desapontamento quanto à temperatura aquém do ideal, que foi neutralizado pela sua boa qualidade. Além de saboroso, o quitute é acompanhado de molho de pimenta chipotle, e também guacamole, esta ótima. Como éramos apenas dois, deixamos para outra oportunidade a porção de mini burguers da casa, que me pareceu bastante atraente.


Quanto ao atendimento, é bem verdade que se mostrou simpático, mas necessita de ajustes que poupem os nossos braços de estarem sempre levantados. Acertado este aspecto, faltaria apenas a inclusão das cervejas de 600 ml em seu cardápio, o que lhe tornaria perfeito aos olhos de um butequeiro. Como não acredito que essa mudança esteja nos planos da casa, passo a entendê-lo como uma nobre alternativa aos botecos dos arredores.


Notas:

Ambiente: 5
Atendimento: 2
Bebida: 3
Comida (peso 2): 4
Custo-benefício: 3

Média final: 3,5 estrelas


Dub
Rua da Bahia, 1148 - 2º pavimento - Loja 5 - Centro - Belo Horizonte - MG
Tel: (31)3222-3527
Pagamento: Cartão de crédito ou débito
Preço médio por pessoa*: R$ 45,00

* Consumo individual, em rateio ou não, de uma porção para dois, ou duas porções para um (preço médio), acrescida(s) de duas bebidas, serviço e couvert/entrada, quando houver. As bebidas podem ser: duas cervejas de 600 ml, quatro cervejas de 350ml, dois drinks, duas doses de cachaça ou duas taças de vinho.

sábado, 2 de março de 2013

Clube Mineiro da Cachaça - 17/01/2013


Por meio da presente resenha, dou início às impressões de bares visitados a partir de 2013. Sei bem que existe uma defasagem de mais de um mês entre as visitas e as resenhas, mas espero acertar o passo até abril próximo. Aproveito para agradecer a todos que leram, compartilharam e criticaram este blog em 2012, ano em que passei a incluir as minhas fotos, bem como o quadro avaliativo depois de cada resenha. É sempre bom reforçar que as nossas opiniões são independentes e coletadas a partir de visitas pagas. As – pequenas – novidades para 2013 são a inclusão das “formas de pagamento” na ficha do bar, ao final de cada resenha, que também receberá o preço médio por cabeça, cuja explicação do cálculo será reproduzida em cada nova opinião. O objetivo dessas modificações é separar um pouco mais os aspectos objetivos dos subjetivos, o que contribui para escritos mais soltos, que são da estima do blogueiro e, creio eu, também dos leitores.

Aproveitado o primeiro parágrafo para as “explicações técnicas”, falemos então do Clube Mineiro da Cachaça, cujo nome anterior fora Clube do Porre. Com a troca de donos, acontecida há cerca de cinco anos, o bar seria rebatizado com o nome atual, mais longo e enfatizando sua a sua grande vocação. Nele já havia comparecido em 2010, para o aniversário de um amigo, e retornado durante o carnaval de 2012, feriado quando é um dos poucos a prestigiar a folia. A última visita, da qual falo hoje, aconteceu em uma quarta-feira de janeiro. Fui acompanhado do meu pai, admirador da mais mineira das bebidas, e escolhemos uma mesa no ambiente dos fumantes, que dentre todos, é o único descoberto. Além de atender aos amantes das baforadas, serve de ligação entre os outros dois, quais sejam o interior da casa, que é de fato uma construção residencial, e o quintal. Este último, maior e atualmente coberto, ao que parece só funciona em dias de maior movimento ou em confraternizações. Independente de qual seja o ambiente escolhido, a atmosfera será mineiramente rústica.


Para a apresentação do cardápio, não há anfitrião melhor do que o garçom Jarbas. Se questionado sobre a carta de cachaças então, dará até aulas sobre o assunto, inclusive por ser mais um dos degustadores da dita cuja. Escolhemos apenas o rótulo da cerveja, no caso a Original (R$ 7,20), e deixamos a sugestão da cachaça e do petisco por conta do competente profissional. Meu pai sugeriu apenas que a aguardente fosse envelhecida em amburana, e nós recebemos uma dose da boa Água da Bica (R$ 6,00), de Brumadinho.


Para “tirar o gosto”, uma porção de almôndegas ao molho de tomate e manjericão (R$ 22,00).


São almôndegas, sem qualquer reinvenção gourmet, mas saborosas e reconfortantes, como deveria ser qualquer prato da cozinha mineira.


De outra sorte experimentei a linguiça flambada na cachaça com requeijão, que não repeti dessa vez em função do susto com o seu preço atual, de R$ 37,00. Seja como for, o saboroso prato fica como uma segunda dica do cardápio, que ainda enumera outros vinte e oito petiscos. Acha que são muitas as opções? Pois dentre as cachaças são mais de 1200 rótulos, 65 destes listados na carta de doses, e com o preço variando entre R$ 5,00 e R$ 65,00. Fora os coquetéis à base de aguardente, que homenageiam artistas mineiros como o Lô Borges, que leva maracujá, pimenta biquinho, gengibre e cachaça branca (R$ 12,00). Com tantas reverências, alguém ainda duvida que a cachaça chegou à prateleira de cima?


Notas:

Ambiente: 3
Atendimento: 4
Bebida: 5
Comida (peso 2): 4
Custo-benefício: 4

Média final: 4 estrelas


Clube Mineiro da Cachaça
Rua Mármore, 373 - Santa Tereza - Belo Horizonte - MG
Tel: (31) 2515-7149
Pagamento: cartão de crédito ou débito
Preço aproximado por pessoa*: R$ 45,00

* Consumo individual, em rateio ou não, de uma porção para dois, ou duas porções para um (preço médio), acrescida(s) de duas bebidas, serviço e couvert/entrada, quando houver. As bebidas podem ser: duas cervejas de 600 ml, quatro cervejas de 350ml, dois drinks, duas doses de cachaça ou duas taças de vinho.