O Estabelecimento é um bar que, em quase dez anos
de vida, alcançou considerável reconhecimento, sobretudo da imprensa
especializada. Participou, neste interim, de oito edições do Comida di
Buteco, tendo chegado ao seu auge criativo em 2011, quando homenageou o
Norte de Minas com o prato “Falando abobrinha no sereno da madrugada”.
Originalmente composto por carne de sereno cozida em especiarias,
acompanhada de purê de moranga em anéis de abobrinha e bolinhos de
mandioca crua, foi simplesmente a melhor criação dentre os 41 pratos do
ano, por mais que não tenha figurado no pódio.
Foto oficial do Comida di Buteco 2011
A receita infelizmente fora descaracterizada no ano seguinte, tendo sido abolida do cardápio neste ano. Em 2012 e 2013 concorreu, principalmente no último, com quitutes que estiveram longe de um consenso.
Surgido de outra receita elaborada para o Comida di Buteco, o tradicional
bolinho de arroz da casa recebeu jiló para compor o prato “Paleta em
ninho de pelotas”, de 2010. Agradou tanto que passou a ser vendido em
porção própria, além de ter sido o motivador da participação do Chef
Olívio, proprietário da casa, no programa global Mais Você. Com oito
unidades, a porção custa atualmente R$ 25,00, e seus bolinhos são muito
menos generosos do
que na origem. Já no quesito sabor, continuam agradando bastante.
No dia da nossa última visita acontecia o festival
Bar em Bar, que pouca atração exerce sobre o público. O
belo-horizontino foi, nos últimos 15 anos, habituado a ter a sua
parcela de poder na escolha dos melhores e piores petiscos, bem como
acostumado a porções saborosas e inventivas, e que custem valores
dentro do razoável. É exatamente o observado no Comida di Buteco, que
apesar da descaracterização sofrida nos últimos anos, permanecerá reinando absoluto enquanto não houver outro concurso com voto do cliente, estímulo à criatividade e preços convidativos.
Fechado o parêntese acima, digo que o
Estabelecimento foi um dos participantes do adormecido festival da
ABRASEL, por meio do prato “Com as coxas de molho”. Apesar do
interessante caldo onde as dez coxinhas da asa são cozidas, por algum
motivo o seu sabor não foi absorvido pela carne. Coube à simples farofa
de abóbora salvar o petisco, que custou R$ 23,00 para duas pessoas.
Para acompanhar os quitutes, a freguesia tem
preferência pela cerveja de 600 ml. A Serramalte, anunciada no
cardápio, nem sempre existe nos congeladores, porém introduziram a
linha Backer recentemente. Enquanto a Brahma custa R$ 7,00, pela
Original se paga R$ 7,40.
Dentre os drinks e coquetéis, o que mais tem saída
é o Mojito. De bom tamanho e muito bem executado, vale 15 pratas se
preparado com rum nacional, ou 18 barões se levar o cubano Havana.
O atendimento nunca foi o forte do bar, e é
justamente o garçom mais antigo da casa o que mais espanta pela cara
amarrada. Mas, como sempre brinco com os amigos marinheiros de primeira
viagem, é do tipo que “assusta, mas não morde”.
O ambiente do Estabelecimento Bar, por fim, é
agradabilíssimo. O grande pecado observado, que não diz respeito ao
ambiente em si, mas à gerência da casa, é a permissão para que se fume nas partes cobertas do botequim.
Notas:
Ambiente: 4
Atendimento: 2
Bebida: 4
Comida (peso 2): 3
Custo-benefício: 3
Média final: 3 estrelas
Estabelecimento Bar
Rua Monte Alegre, 160 – Serra – Belo Horizonte - MG
Tel: (31) 3223-2124
Pagamento: aceita cartão de crédito e de débito
Preço médio por pessoa: R$ 65,00*
*Consumo
individual, em rateio ou não, de uma porção para dois, ou duas porções
para um, de preço médio, acrescida(s) de duas bebidas e, quando houver,
serviço e couvert/entrada. As bebidas podem ser duas cervejas de 600
ml, quatro cervejas de 350 ml, dois drinks, ou duas doses de cachaça,
dependendo da especialidade do bar.



























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